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Epigrama




o vento não sopra
para acalmar o calor
de um ser esquecido
na memória de outro

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Pombas arrulham
o som do espírito
do vento suave.

Epigramas




beijar-te-ia apenas uma vez,
e seria como amar-te para sempre
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a amizade quando verdadeira é tal modo forte,
que não haverá espaço ou tempo a afastar a memória.
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O exílio é o local indesejado onde permaneço obrigada,
Longe da carícia do sonho e da música da ilusão.


O Espaço do Tempo

Vê se demoras!
Aprende a poder demorar.

Demora:
Possui o tempo!
Faz o tempo ser teu.

Alarga:
Afasta-te!
Adquire um espaço teu.

Alarga:
Dá espaço!
Faz uma distância só tua.

Capricha:
Não te podes demorar?
Não te podes afastar?
         Então certamente amas!

Quero Acreditar que Existem Fadas na Cidade

Midsummer Eve, 1908
Edward Robert Hughes
Troveja,
Um som grave fere os ares,
Um brilho fino ilumina os olhos.

O gato,
do outro lado da rua,
observa-me inocentemente.

Inocência,
Perdida nos meus olhos há muito.
Desde que o ódio me inundou as veias.

Mas, oh, porquê?!
Só sei que assim é.
Afortunados anciãos
que as mãos aquecem ao sol calmamente.

Vejo tudo distorcido.
Vejo um mundo que não existe
e o real é imaginado.
As folhas das árvores são de prata
e a seiva é de sangue.
Nas veias humanas, há seiva azul.
As crianças possuem asas de anjo e voam.

Acredito que existem fadas na cidade
A rodear candeeiros como os mosquitos.

Fadas das luzes,
pequenas, brilhantes,
como estrelas rosa na noite escura.
Durante a noite
vão dar presentes aos meninos
que perderam um dente.


© 2002

Estar aqui


Rembrandt van Rijn,
Philosopher in Meditation (1632)
Estar aqui
ou estar ali
é sempre uma dúvida.

É como o não se saber bem.

Às vezes age
como um preconceito.
A angústia da dúvida,
do não saber o que escolher.

Outras vezes
surge como liberdade.
Como um sabor doce na boca.
Como um gostinho a cheiro de ar.

E gostar
de estar duplamente dividido,
espacialmente.

E de outras vezes
não gostar.

© 2000