Publiquei o pequeno conto "A filha que tomou conta da casa" na revista digital A Sul de Nenhum Norte #9, que entretanto já não encontro disponível.
Autora de "Sobreviventes" (2015), "Sudoeste" (2014) e "Contos Breves" (2013). Começou a escrever na adolescência para o "DNJovem" e desde aí tem colaborado em diversos sites, revistas literárias e coletâneas.
Insónias da leitura
Custo a adormecer sempre que termino um livro. O enredo narrativo envolve-me de tal modo que me perco em pensamentos acerca dele. Não me ponho a imaginar que tivesse sido de outro modo. Antes pelo contrário, absorve-me a possibilidade da ficção se reproduzir na realidade. Pior: na minha realidade. É angustiante imaginar que o imprevisto se pode deparar-nos, quando a rotina é tão segura.
Como uma criança que entra e vive um conto, que confunde a fantasia e a acha possível. Como uma criança para quem as histórias podem ser lições de vida, e por isso, vale a pena revivê-las antes do sono chegar.
Como uma criança que entra e vive um conto, que confunde a fantasia e a acha possível. Como uma criança para quem as histórias podem ser lições de vida, e por isso, vale a pena revivê-las antes do sono chegar.
Vila Moura
Apesar do nome Vila Moura, esta localidade, situada no sul interior do país, foi elevada a cidade por se situar numa zona com menor densidade populacional.
Em termos de arquitectura das habitações nada se sobrepõe ao habitual desta zona do país, contudo tem uma monumentalogia impressionante e invulgar.
A cidade está situada num vale, junto a uma pequena serra. Do lado da cidade orientada para a serra ainda resta a muralha antiga que cercava a localidade. A muralha sofreu alterações em diversas épocas, mas crê-se ter origem romana. Aos tempos da reconquista cristã já só teria de pé a parte ainda hoje preservada.
No centro da muralha, onde terá existido uma porta, ergue-se agora um arco do séc. XVIII, adornado com pedra granítica vindo do norte do país, trabalhada em diversas figuras da flora. Em frente ao arco encontra-se um grande jardim cuja origem se desconhece. Grande parte das espécies botânicas presentes terá sido plantada a partir do séc. XIX. Fontes e bancos de pedra mármore da zona são da mesma época, sendo que na parte mais afastada do jardim temos bancos do séc. XX. No fundo do jardim encontra-se um pequeno lago e uma capoeira com algumas aves exóticas, doação de um benemérito da cidade na década de 1960.
Do lado direito do arco, e aproveitando a muralha, encontra-se o monumento mais estranho da cidade, a que o seu povo chama de “Capitólio”. Na verdade, são as ruínas de uma mesquita árabe, como se comprova pela construção em arcadas e pelos restos de pinturas murais com motivos geométricos florais. Existem algumas alterações medievais e do séc. XVIII no edifício, desconhecendo-se o seu uso nesta época. Ali perto encontra-se a basílica, típica do século XVII, com azulejos da época, talha dourada e uma colecção invejável de arte sacra. Apesar de haver outras igrejas e capelas na cidade, esta construção é a que mais se destaca.
A câmara municipal, situada do lado esquerdo do arco e do jardim, está situada num palácio do século XVI, instalações onde ainda funciona o museu municipal.
Metamorfose
![]() |
| Zaina Anwar - retirado daqui: http://zainaanwar.blogspot.pt/2010_06_01_archive.html |
Se me transformei numa barata, porque é que ainda me incomoda que me pisem?
Devemo-nos habituar à nossa condição, especialmente se formos nós que a construímos. Nunca fui ambicioso e aventureiro, porque me hei-de importar por ser mais um empregado de escritório aborrecido com o que faz? Por ser mais um subordinado que se cala aos berros do chefe? Por ser apenas mais um pálido engravatado numa cidade, de pele mais azul que branca? Por as mulheres não olharem para mim? Porque razão me haveria de importar com isso, se eu só tiro o fato e a gravata em casa, que troco por um fato de treino, com que vou ao supermercado ao fim-de-semana, e que nunca conheceu o suor do desporto?
Os momentos de lazer que se resumem à leitura de um jornal desportivo, ao refastelar de TV no sofá, aos almoços de domingo na casa da mãe e da irmã.
Porque me importo com tudo isto? Se não passo de uma barata, porque o hei-de aceitar? Se nunca lutei para que as coisas fossem diferentes, porquê esta revolta, este desejo pelo inverso da minha realidade?
Anos sem sair da cidade. Anos sem ver o mar, sem que a pele se bronzeasse. Anos sem tomar banho no mar ou no rio. Para quê desejá-lo, se me sinto incapaz de passar férias sozinho? Gostava de ter casado, mas talvez a minha vida ainda fosse mais insossa que já é. As mulheres não queriam homens de pele azul e falta de ambição.
Folheei a revista da agência de viagens. Era este ano que vou para a praia e levo a minha mãe!
Escritores
Ele era escritor, e ela também, mas ele escrevia e ela não. Ela levantava-se cedo, tomava o pequeno-almoço e a seguir ia arrumar a casa. Por roupa a lavar, estendê-la, passar a ferro se secasse rápido. Senão ficava para a tarde. Depois tinha de fazer o almoço. Almoçavam e ele voltava para a secretária para escrever. Ela tinha de arrumar a cozinha. Regar as plantas. Cuidar do quintal. Ir às compras. Torrar pão para o lanche. Às vezes acontecia-lhe ter um momento de inspiração. Então ele dizia que também tinha e tirava-lhe o lugar no computador.
Quando finalmente tinha tempo estava demasiado cansada para escrever. E lia, lia, lia.
Cu e mamas
![]() |
| autoria: Cris Conde. Retirado de http://www.cooltips.com.br/2011/04/cooltip-by-miki-malka-conheca-a-artista-cris-conde |
Sempre soube que era uma questão de auto-estima, mas…
O seu cabelo crespo continuava desde menina. Antes achavam-no feio, agora achavam-no sensual. Era claro uma questão de postura, pois a beleza até diminuíra com a idade. Mas agora, mesmo quando, cheia de sono, a perdia, os olhos deles continuavam a olhá-la. Certamente por causa da impressão que já causara. Cu e mamas. Resumia-se a isso. Cu sempre o teve, mas houve tempos em que o escondera. Talvez tenha sido por causa disso que tudo mudara.
Assuntos de Escrita - Printing on Demand
Assuntos de Escrita é uma rubrica deste blog que conta com a colaboração de outro blogger para nos falar de um assunto relacionado com a escrita. Este mês foi convidada Rute Canhoto, natural de Alcácer do Sal, autora de Perdidos e do blog com o seu nome.

Muito sinceramente, não faço me recordo de como encontrei a Euedito; creio que foi através de uma pesquisa aleatória no Google, mas não tenho a certeza absoluta. Contudo, recordo-me perfeitamente das razões que me levaram a optar por esta solução.
No final de 2009 tinha escrito um pequeno conto de Natal e queria publicá-lo. Não queria enviá-lo para uma pequena editora, pois já tinha publicado o meu primeiro livro através de uma e sabia que o processo tinha alguns obstáculos com os quais não me queria deparar. A título de exemplo, não queria ser obrigada a adquirir um certo número de exemplares a preços demasiado altos e queria manter os direitos de autor da minha história, para poder fazer o que quisesse com ela. Assim sendo, comecei a procurar uma solução mais prática e à medida dos meus interesses.
As gráficas que consultei pediam demasiado dinheiro, pelo que iniciei uma pesquisa na Internet. Acabei então por encontrar a Euedito, que apresentava preços bastante atrativos; podia ainda ter o livro à venda no site deles e mantinha os meus direitos de autora. Achei que não tinha razões para recusar a oportunidade e avancei. Que desvantagens há em optar pelo Print on Demand? A maior desvantagem é termos nós mesmos de tratar das questões como o ISBN, o registo da história, o marketing e fazer chegar os livros às livrarias. Dá muito trabalho, mas tudo se consegue com empenho e persistência. Basicamente, acabei por ter tanto trabalho na promoção deste conto quanto tive aquando do lançamento do meu primeiro livro por via de uma editora mais pequena!
Como não tive razões de queixa da primeira experiência, resolvi lançar o meu mais recente livro, intitulado “Perdidos”, igualmente através da Euedito. Enquanto as editoras ditas “grandes” não me derem uma oportunidade, vou continuar optar pelo Print on Demand, aliado à vertente digital dos e-books, que se encontra em franca expansão.
*
Print on Demand por Rute Canhoto

Muito sinceramente, não faço me recordo de como encontrei a Euedito; creio que foi através de uma pesquisa aleatória no Google, mas não tenho a certeza absoluta. Contudo, recordo-me perfeitamente das razões que me levaram a optar por esta solução.
No final de 2009 tinha escrito um pequeno conto de Natal e queria publicá-lo. Não queria enviá-lo para uma pequena editora, pois já tinha publicado o meu primeiro livro através de uma e sabia que o processo tinha alguns obstáculos com os quais não me queria deparar. A título de exemplo, não queria ser obrigada a adquirir um certo número de exemplares a preços demasiado altos e queria manter os direitos de autor da minha história, para poder fazer o que quisesse com ela. Assim sendo, comecei a procurar uma solução mais prática e à medida dos meus interesses.
As gráficas que consultei pediam demasiado dinheiro, pelo que iniciei uma pesquisa na Internet. Acabei então por encontrar a Euedito, que apresentava preços bastante atrativos; podia ainda ter o livro à venda no site deles e mantinha os meus direitos de autora. Achei que não tinha razões para recusar a oportunidade e avancei. Que desvantagens há em optar pelo Print on Demand? A maior desvantagem é termos nós mesmos de tratar das questões como o ISBN, o registo da história, o marketing e fazer chegar os livros às livrarias. Dá muito trabalho, mas tudo se consegue com empenho e persistência. Basicamente, acabei por ter tanto trabalho na promoção deste conto quanto tive aquando do lançamento do meu primeiro livro por via de uma editora mais pequena!
Como não tive razões de queixa da primeira experiência, resolvi lançar o meu mais recente livro, intitulado “Perdidos”, igualmente através da Euedito. Enquanto as editoras ditas “grandes” não me derem uma oportunidade, vou continuar optar pelo Print on Demand, aliado à vertente digital dos e-books, que se encontra em franca expansão.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



