Assuntos de Escrita é uma rubrica deste blog que conta com a colaboração de outro blogger para nos falar de um assunto relacionado com a escrita. Este mês foi convidada Carla Pais, autora do blog: Carla Pais.
Confesso que escrever artigos não é, de todo, o meu forte. Nunca o foi e não sei se algum dia virá a ser – parece-me que não. Mas a Olinda desafiou-me a fabricar um pequeno texto sobre como escrever erótica e, sinceramente, não tive como dizer que não. Pondo isto, pensem bem se pretendem continuar a ler, é que caso o façam não venham depois reclamar… Eu avisei.
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Escrever Erótico
Confesso que escrever artigos não é, de todo, o meu forte. Nunca o foi e não sei se algum dia virá a ser – parece-me que não. Mas a Olinda desafiou-me a fabricar um pequeno texto sobre como escrever erótica e, sinceramente, não tive como dizer que não. Pondo isto, pensem bem se pretendem continuar a ler, é que caso o façam não venham depois reclamar… Eu avisei.
Quando comecei a ler, desde tenra idade, achava que quem escrevia não eram pessoas normais, eram antes seres especiais que tinham um talento que lhes roubava o nome, por isso nunca decorava o nome dos autores, mas sim as histórias. Mais tarde, quando decidi começar a ser eu autora das minhas histórias, mesmo ciente de que talento não tinha, percebi o quão difícil era escrever. Decidi então praticar, praticar até à exaustão. Até que saísse alguma coisa que se lesse, mas a sério. Li todo o tipo de livros, inventados e por inventar. Escrevi todo o tipo de coisas, só que ao contrário do que seria de esperar, comecei logo pela parte mais difícil – os romances, pois eu queria era escrever muito, muito, muito e só os romances nos obrigam a esse muito esforço.
Andei muitos anos a desperdiçar palavras para perceber o meu estilo. Muita tinta correu, entre os meus dedos, até os meus textos se afirmarem com personalidade e depois… Depois caiu-me nas mãos o primeiro romance erótico, “A flor do desejo” de Cherie Feather. Aí tive a certeza de que era aquilo que me fascinava. Que era erótica que queria escrever, mas cuidado: escrever erótica não é fácil, nem coisa de se acertar à primeira.
Assumir-se como escritor de erótica é dar o peito às balas. É estar preparado para as mais variadas críticas, pois este tipo de escrita, para além de estar muito em voga, é dos que mais suscita contradições em termos de opinião. O vocabulário que utilizas em cada cena de sexo deve estar de acordo com as sensações que pretendes transmitir ao leitor. Não basta a tua imaginação ver a cena, tem de estar presente a cada momento, ver todos os pormenores e em último caso, seres o protagonista da cena. Se ao descreveres o erotismo da cena te sentes agitado e ao mesmo tempo preso nas teias da escrita, então é sinal que a coisa está a correr bem. Se houver um terramoto e tu demorares a senti-lo por estares a escrever uma cena erótica, então a coisa saiu perfeita (depois corre antes que a casa caia). Agora relê o que escreveste em seguimento do antes e recria devagar as alterações que te escaparam. As personagens encaixam com o ambiente, vocabulário e diálogos, parabéns; avança no texto que essa já foi.
Contudo e infelizmente nem sempre tudo corre sob feição. Há dias em que reescreves uma cena erótica milhentas vezes e mesmo assim ela não sai. Não sentes nada, as palavras não fluem, os personagens não reagem, os diálogos estão mortos e tu quase a desistir. Quando assim é (notas tudo murcho), afasta-te, pega num romance e lê-o, funciona sempre.
Escrever erótica é isto mesmo, a minuciosidade das emoções que transcrevem do papel para o leitor não são nada fáceis de retratar e, o que a uns pode provocar um orgasmo a outros (menos preparados psicologicamente) pode provocar repugna. Recriar momentos de intimidade mais perversos, mais ousados, (mais fodidos) pode incomodar a muito boa gente, no entanto acredito que, se ainda não leste, já fizeste, se não fizeste, já leste qualquer coisa de erótico. O que falta é apenas o atrevimento de assumir.
Nunca conseguiremos agradar a Gregos e Troianos em simultâneo e quanto a isso não há nada a fazer, afinal não praticamos todos as mesmas posições.





