Leitores: Pedro Cipriano


Para a nossa rubrica do blog, leitores, convidámos o blogger, leitor Pedro Cipriano para responder às nossas perguntas. O Pedro mostra as suas leituras no seu blog.


Que sentimentos procuras que um livro te deixe?
Eu procuro num livro algo de novo. Uma experiência nunca antes vivida, que me desamarre do mundo real e me leve para um universo mais ou menos fantástico. Procuro que me envolva e que crie empatia com as personagens, que as faça amar ou odiar mas, sobretudo, que não me deixe indiferente. Não me preocupo muito com géneros nem etiquetas. Em suma, procuro um livro que me apaixone!

A leitura, para ti, é uma companhia, um escape, uma busca pelo mundo sem sair de casa ou tudo isto?
A leitura é uma necessidade. Como um daqueles hábitos diários, tal como comer ou dormir. Os bons livros acabam por ser uma companhia, um refúgio e uma viagem à volta de um mundo, em que não interessa se esse mundo existe realmente ou não. Um livro acaba por ser isso tudo e muito mais...

Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a?
Que pergunta tão difícil! Acho que vou ter que deixar os meus livros em papel e aderir a essas modernices, como os audiobooks e isso. Isto é se não ficar surdo no entretanto...
 

Leitores: Gabi (Dona Redonda)






Para a nossa rubrica do blog, leitores, convidámos a blogger, leitora Gabi para responder às nossas perguntas. A Gabi mostra as suas leituras no blog Dona-Redonda.



Que sentimentos procuras que um livro te deixe?
Gosto de ler e descobrir livros diferentes e assim também procuro sentimentos diferentes: empatia com os personagens, sentir que vivi em parte o que li. 

A leitura, para ti, é uma companhia, um escape, uma busca pelo mundo sem sair de casa ou tudo isto? 
Tudo isto sem dúvida e mais ainda. É também uma forma de aprender, matéria para sonhos, uma ligação com quem já leu ou está a ler um mesmo livro, a ocupação para um tempo de espera.

Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a?
Arranjar melhores lentes, recorrer a livros-audio - se também ouvir mal poderá ser um problema...


No Lar

Tinha entrado no lar de 3ª idade naquele dia. Antes não queria, há uns tempos atrás. Quando ainda não precisava de ajuda para se levantar de uma cadeira. E outras coisas mais, que não valia a pena estar para a ali a enumerar maleitas. Agora conformou-se com a ida para o lar. Afinal a sua vida era do quarto da cama para a sala, levada por alguém que lhe escolhia o canal de televisão. A casa era pequena, e, em comparação com o espaço amplo do lar apercebeu-se que, afinal, tinha estado presa na sua própria casa. Havia quantas semanas que não via a rua? Tinha sido num dia chuvoso, em que a levaram ao médico. Há quanto tempo que não podia apanhar uma laranja de uma árvore e saboreá-la deixando escorrer o sumo dos lábios?
Naquela noite, depois do jantar, levaram-na para a varanda. Puseram-lhe uma manta sobre o corpo e pode apreciar os cheiros do jardim. Lá dentro, colegas seus (afinal conhecia-os a todos) cantavam cantigas dos seus tempos de juventude. Depois voltaram a trazê-la para dentro. Ia ver televisão, era hora das notícias, trar-lhe-iam chá e bolachas. Sentia-se a fazer serão. Há quantos meses se deitava às seis da tarde? Durante quantos meses ficara a dormir até às 11h00 porque ninguém se atrevia a acordá-la, a incomodá-la. Sabia que às vezes se portava como uma criança, e que ia ter regras ali. Mas acabou por almoçar e jantar bem, ao contrário do que costumava fazer. Afinal, o lar não era tão mau quanto pensava.

O Jardim / Micro no site InComunidade

Este mês tem sido um mês complicado para as navegações (agora a recuperar aos poucos), e, por isso mesmo, não vos tinha ainda deixado a minha mais recente colaboração no site InComunidade: O Jardim.

Primavera



Digam-me qual é o país da primavera. Digam-me que campos se cobrem de flores pelo Natal. Contem-me onde se constroem grinaldas pelo Carnaval e o novo ano começa no dia da espiga. Digam-me onde os dias têm as mesmas horas da noite. Onde ao final do dia cheira a perfume, onde as madrugadas só têm nevoeiros leves. Que país é esse em que as raparigas não têm biquinis mas sim casaquinhos de renda de todas as cores? Onde na praia se acendem fogueiras, se fazem jogos e se dança toda a noite. Digam-me, por favor, quero ir para lá viver.

Leitores: Carla Soares (Monster Blues)



Para a nossa rubrica do blog, leitores, convidámos a blogger, leitora e escritora Carla Soares para responder às nossas perguntas. A Carla mostra as suas leituras no blog Monster Blues.



Que sentimentos procuras que um livro te deixe?
Para mim, um livro tanto pode ser uma fonte de entretenimento puro, como um desafio, seja intelectual ou emocional. Posso acabar um livro bem disposta, confortada, perturbada, irritada, angustiada, mas tem que fazer-me sentir, ponto final. É ainda melhor se, como escritora, me embaraçar, de tão bom, e me inspirar ou me ensinar alguma coisa sobre a escrita, Mas para apreciar uma leitura, não precisa de ser sempre uma obra prima. Aquilo que preciso que um livro me dê depende muito do momento em que estou e portanto, as minhas escolhas variam muito. Por outro lado, não insisto num livro que não me oferece aquilo de que necessito nesse momento ou que me aborrece. Tenho colocado uns quantos de parte…

A leitura, para ti, é uma companhia, um escape, uma busca pelo mundo sem sair de casa ou tudo isto?
Tudo isso? Não, não é verdade. Não a sinto como uma companhia, um escape talvez… bom, se me pusesse a analisar, talvez fosse todas essas coisas, mas não penso nela como coisa nenhuma. É necessária para mim, uma forma de aprendizagem e um grande prazer, e não creio que tenha que ser mais nada.

Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a?
Comprar óculos mais grossos? Usar o e-reader, aumentando a letra? Pagar aos netos ou bisnetos em bolos e doces para lerem para mim? Assim até matava dois coelhos de uma só cajadada: continuava a ter o prazer dos livros e ensinava-o a mais alguém! Mas… e se também já não conseguir escerever? Aiii…
 

Assuntos de Escrita - Entrevista com Samuel Pimenta

Samuel Pimenta é o autor das obras "O Relógio" e "Geo Metria". Foi recentemente indicado pela Literarte (Associação Internacional de Escritores e Artistas - Brasil) para receber a Comenda Luis Vaz de Camões. Também mantém um blog, organiza tertúlias literárias e aceitou gentilmente ser entrevistado para a nossa rubrica, Assuntos de Escrita.


Assuntos de Escrita (AE) -Verifiquei que no teu percurso literário já acumulaste uma série de prémios. Como foi que se deu o salto de escritor anónimo para escritor laureado?
Samuel Pimenta (SP) - Comecei desde cedo a ter algum reconhecimento pela minha escrita, o primeiro prémio foi num concurso regional, ainda não era um autor publicado, sequer. Mas o prémio que foi determinante para mim e que me ajudou a ganhar alguma projecção, embora já não fosse um autor anónimo, foi o Jovens Criadores, em 2012.

(AE) - A Comenda Luís Vaz de Camões que te vai ser entregue pela Literarte, não foi só pelos teus escritos, mas também pelo teu trabalho nas tertúlias literárias. Como começou esse teu percurso nas tertúlias?
(SP) - Comecei a organizar tertúlias quinzenais a 21 de Junho de 2012, em Lisboa, no Zazou Bazar & Café, ainda sob a gerência de Mónica Santos e Mónica Dias, criadoras do Zazou, de quem acabei por me tornar amigo. Saí precisamente um ano depois, quando a gerência mudou, e agora estou no Bar do Teatro Rápido mensalmente, além de outras tertúlias que organizo pontualmente por todo o país. A ideia de organizar estes encontros literários surgiu da necessidade que eu senti de partilhar os meus textos, bem como de proporcionar a oportunidade de outras pessoas partilharem os seus textos, num espaço que fosse informal e intimista. Tem corrido muito bem, até agora.

(AE) - Ultimamente tem saído nos media matéria sobre tertúlias literárias. Recentemente, as tuas tertúlias até foram faladas num jornal português. Parecem ser uma tendência. Porque achas que se está a revitalizar este modo de difundir a literatura?
(SP) - Penso que as tertúlias se estão a revitalizar, acima de tudo, porque são uma forma de humanizar a Literatura, torná-la vivível. Quem gosta de Literatura, certamente gostará de fazer parte da História da Literatura e participar em tertúlias é uma forma de integrar essa História, de contribuir para a sua evolução, em vez da sua cristalização. É uma forma de cidadania activa em prol da cultura de um país.

(AE) - Mesmo assim a poesia lê-se pouco. Porque será?
(SP) - Porque não há uma educação para a poesia, para a Arte. Muitas pessoas não lêem poesia porque dizem não conseguir decifrar o que o poeta quer dizer, pensam que ler poesia é conseguir decifrar a mensagem do poeta, como se fosse um jogo. Como outra obra de Arte, a poesia procura dialogar connosco, estabelecer uma conversa, seja pela mera contemplação ou pelo debate de conceitos. E isto não é ensinado nas escolas! Curioso é notar, nas tertúlias, por exemplo, pessoas adultas que não gostavam de ler poesia e que, perante o prazer de apreciar o poema transposto para a oralidade, através da leitura e discussão, começam a comprar livros de poesia.

(AE) -Do que li sobre ti houve algo que não consegui deslindar: qual a tua ligação a Moçambique?
(SP) - Essa questão deve estar relacionada com a homenagem que o Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora me fez no ano passado, na Fundação José Saramago, em que fui nomeado Sócio Honorário do Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora. Essa homenagem veio no seguimento do trabalho de divulgação e de valorização da Lusofonia que tenho vindo a fazer com as tertúlias que organizo, onde também já recebi alguns escritores moçambicanos. Moçambique está ligado a mim por ambos integrarmos a Lusofonia, assim como estou ligado a Angola, Brasil, Timor ou Cabo Verde. Temos laços culturais que nos ligam, entre os quais se impõe a Língua que temos em comum.