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Parece que estamos no top (e até parece que já estivemos melhor classificados há uns dias atrás).

As sombras de Cristiano Cinzento

Anastácia era uma jornalista de renome. Apesar disso, não podia fazer sempre aquilo que queria nos seus dias de trabalho. Às vezes tinha de apanhar umas grandes puas. Foi o que lhe aconteceu quando foi entrevistar o Cristiano Cinzento.
O rapaz era um pirralho, o que Cizento (Galdalf) lhe ficava muito mal como nome. Anastácia era uma mulher madura, com muita experiência. Não tinha paciência nenhuma para um jovenzinho de sucesso. O mais certo é ter herdado a fortuna dos pais, ou assaltado um banco numa offshore. Ora, isso seria bom material.
O rapaz portou-se lindamente na entrevista. Viu-se bem que queria mostrar uma imagem limpinha. Anastácia mascou pastilha todo o tempo: um gesto de desprezo propositado.
No final, o pirralho quis armar-se em herói. Mas de homem-aranha só tinha a gordorinha de bebé na sua face.
- Sabe, Anastácia. Eu acho-a uma mulher fantástica. Tenho tudo para a fazer feliz!
- Ai é? – Oh filho, tu não tens é nada. Eu ganho dinheiro suficiente para os meus louboutins, não preciso de ti. Deixa lá ver até onde ele pode chegar. Deixa-o enterrar-se. Pode ser que haja aqui bom material. Cheira-me a esturro.
- Sempre gostei de mulheres mais velhas. Eu poderia ser o seu príncipe encantado.
- Mas falta-lhe a realeza! - Para príncipe já me chegou aquele com que namorei e que me queria fazer rainha, em troca da minha liberdade. Prefiro continuar a fazer reportagens de guerra, quero lá saber de jantares de beneficência.
- Tenho gostos peculiares. Tinha todo o interesse em mostrar-lhe.
- Ora vejamos isso. – Anastácia accionou a câmara de filmar secreta que trazia incorporada na Louis Vuitton. Cristiano, que nome mal aplicado. Tinhas que por umas andarilhas para teres altura de futebolista.
- Caríssima Anastácia, apresento-lhe o meu quarto secretao!
- Cruzes canhoto, oh rapaz! Tinhas jeito para talhante![1]
- Oh Anastácia! Experimente. Vai ver que vai gostar.
- Não, obrigada Cristiano. Já devia saber que é como a música do Rui Veloso.
- Quem é o Rui Veloso, algum DJ?
- Amigo, não se ama alguém que não gosta da mesma canção.
- Ah, Anastácia, essas frases vintage tiram-me do sério. Deixa que eu seja o pai dos teus filhos.
- Senhor Cristiano, por favor! Isso diz-se lá a uma mulher. Vê-se logo que é treta! E para filhos já me bastam os meus, que me dão muito trabalho, assim como aturar o pai deles,  o meu ex-marido.
Anastácia abandonou feliz a casa do jovem milionário. Agora sim, tinha material para um bom artigo no jornal. Só o que precisava era de aproveitar bem o resto do dia, já que os filhos estavam com o ex-marido. Um banho relaxante, um bom copo de vinho. Talvez telefonasse ao jardineiro. Ele sim, podia não conhecer os filmes oscarizados, mas sabia o que era um bom carinho.

[1] Não queremos, de todo, ofender os talhantes com este texto.

Discurso de velhos e o "Regresso ao Futuro"


É com frequência que se ouve o discurso: "os putos de hoje são mais putos do que nós fomos", ou "nós fomos mais putos do que os nossos pais foram". O que é uma grandessíssima treta e conversa de velho. É muito difícil convencer as pessoas do contrário. Afinal, quem tem ideia fixas, tem-las e pronto: ponto final.
Quem, como eu, nasceu no início da década de 80 e foi criança nessa mesma década com certeza viu inúmeras vezes o filme "Regresso ao futuro", e suas sequelas, hoje clássicos, mas na altura filmes da berra. Como criança, para mim o Marty McFly , personagem adolescente, era para mim uma personagem crescida. Depois de mais de 20 anos sem ver o filme, só o revi há 2/3 anos, e só nessa altura me apercebi que essa dita personagem era um adolescente. E a imagem que dele tinha construído, de um rapaz crescido, passou agora para um puto.
Vá, e agora, quem se atreve a dizer que o Marty McFly não era um gradessíssemo puto? Aliás, era muito mais puto com que eu fui pita na mesma idade.
E fiquemos assim.