Poemas sobre a maternidade

 






Publiquei, na Revista Capitolina, cinco poemas sobre a maternidade. Para ler, seguir o link.

Carta aos meus alunos

 




Publiquei no passado mês de fevereiro este texto, "Carta aos meus alunos sobre a leitura". Para leitura completa, seguir o link.

Diário do Alentejo (15-01-2021)



Mãe e Filha


Leia o meu último texto publicado na Cooluna de Autor da Coolbooks (Porto Editora)

Olhei para ti, tão pequena e delicada, tão frágil, pouco depois de teres saído de dentro de mim. Mamavas no meu peito com uma força e sofreguidão que me deram a esperança de seres forte e resolvida no futuro.

Aconteceu tudo outra vez. Apesar de ter sido diferente, e seria sempre diferente – tinha comigo a tranquilidade da natureza saber fazer o seu trabalho, de eu ter feito o meu trabalho, de tu encheres um dos braços do meu colo. Mais tarde o mano haveria de nos fazer visita, encostar-se no outro braço, e eu sentir-me plena, de colo cheio.

Olhei para ti. És a corrente que me liga ao passado e ao futuro: esse milagre da vida que é os ventres dentro dos ventres.

Sangrei de vida, plena de felicidade. Mas sabes, Sofia, este mundo não é fácil. E hei-de falar muito disso contigo e com o teu irmão.

Opinião: "O ano da dançarina" de Carla M. Soares


Apesar de ser o mesmo registo que noutros livros da autora, neste há uma grande diferença: a perspetiva masculina, em vez da feminina a que a autora nos habituou, o que nos permitiu observar uma época da história numa perspetiva muito vivencial: porque afinal eram os homens que ia
às putas e às guerras, verdade seja dita. Mas em tanta personagem feminina da Carla, que têm vindo a aumentar o seu empoderamento, fica-nos agora um sabor a pouco. A Bernarda e a Cecília são excelentes, mas senti falta das histórias delas, da perspetiva delas, do pensamento delas: quem sabe numa outra obra?
E sabendo como se relacionam estas personagens com as de "O Cavalheiro Inglês", senti também tanta falta do atrevido mas doce, politicamente incorreto, de índole duvidosa mas eternamente bom inglês. Mas isso é um defeito meu, esta predileção por personagens perdidas.

Espiga


Foto cortesia de Vera Lúcia Cara-Roxa
Ficava sempre triste, quando em Lisboa saía de casa distraída e completamente alheia do dia que era. Acontecia-me todos os anos. Era dia da espiga e só me apercebia quando via na rua raminhos à venda. Ficava sempre triste e desiludida comigo por não me ter apercebido da proximidade da data, que nunca me falhava no Alentejo. A verdade é que na cidade, e tão concentrada no que por lá andava a fazer, acabei por me afastar do ritmo natural de tudo, até do meu. E só havia datas que não me falhavam porque já estavam tão envolvidas em consumismo que dois meses antes já havia montras decoradas com o tema. Como no Natal.
De volta ao Alentejo o dia da espiga nunca mais foi esquecido.
Também em Lisboa tentava perceber que dia era aquele, para além dos ditames cristãos. Dia tão belo, em tudo tão pagão, um vestígio ainda não transformado com a nossa contemporaneidade urbana e capitalista. Não havia livro que me respondesse à questão. É muito menos páginas web na altura. Só temas celtas, nórdicos. Não podiam nunca responder a algo tão genuíno e português.
Mais tarde acabei por perceber, tirando um pouco daqui e um pouco dali. Outras leituras talvez me tivessem respondido, mas não tinha orientação para lá chegar.
No meio de tudo isto descobri na biblioteca da Faculdade uma edição fac-similada das "Regiões da Lusitânia" do Leite de Vasconcelos, que me fez andar a escrever com ph durante uns tempos. Foi água que me matou sede: apesar de já estar tão ultrapassado - felizmente. Mas não deixo de recordar esse livro com carinho.