Eu andava no 1º ano, e a minha escola primária tinha na altura uma pequena biblioteca escolar (hoje muito maior, felizmente). Sempre gostei muito de livros, e aprendi precocemente a ler. Apesar da abundância de livros que sempre houve na minha casa, nunca me deixava de sentir entusiasmada e curiosa perante livros. E nesse dia fiquei muito contente de ir à biblioteca escolar, decidida a levar para casa um livro. Um tema que sempre me fascinou foi a astronomia. Encontrei na estante da biblioteca uma enciclopédia infantil sobre estrelas e planetas, e decidi que aquele era o livro que eu queria levar.
Quando chegou a altura de efectuar a requisição, a rapariga que a estava a fazer disse que eu não podia levar aquele livro porque não era para a minha idade. Sugeriu-me então que levasse um livro daqueles cuja ilustração preenche toda a folha, com apenas uma linha de escrita, de leitura muito elementar, no fundo da página. Para mim aquilo era um livro para bebés. Recusei-me a levar um daqueles, e insisti em levar o que tinha escolhido. A rapariga voltou a negar-me a requisição.
E eu decidi não levar livro nenhum.
Autora de Fermentação (2026), "Sobreviventes" (2015), "Sudoeste" (2014) e "Contos Breves" (2013). Começou a escrever na adolescência para o "DNJovem" e desde aí tem colaborado em diversos sites, revistas literárias e coletâneas. Publicou ainda os livros infantis "A menina e o Circo" (2022) e "O Príncipe e o Lobo" (2023)
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Decididamente, a rapariga que estava a tratar das requisições não era de todo a pessoa certa para aquela função!
ResponderEliminarA sorte é que não me lembro de quem é a rapariga! Porque devo encontrá-la algumas vezes na rua...
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