Mat_


Mat_
Há tantos, tantos séculos que amamento o meu bebé, descansada e no silêncio, que até me esqueço do tempo que passou. Enquanto amamento, olho para dentro de mim, bem lá no fundo. Seria tão bom que mulheres e homens pudessem olhar para dentro de si em vez de se matarem uns aos outros, tantas vezes em nome daquilo que eu não sou.
Continuo no coração de homens e de mulheres todos os dias, assumindo as formas e as palavras que julgo melhor entenderem. Quantas vezes lhes apareci, mas cegos não me vêm e surdos não me ouvem. E continuam a matar-se.
Eu continuo a amamentar o meu bebé, porque contra isso nada podem fazer. Se parassem, se rezassem, se meditassem... como tantas vezes lhes digo, talvez entendessem que isso servisse para pararem de matar. [Olinda Pina Gil, 13/Maio/2017]

Outono

Imagens do google

O dourado da luz chegou este ano mais cedo. O sol ainda me aquece como em todos os meus outonos. A natureza é generosa, mas avisa-me da proximidade do ocaso. Ensina-me que o ocaso pode ser agradável se eu tiver para colher aquilo que antes plantei. Agradeço todas as dádivas da minha vida e preparo-me para a ibernação de inverno. É de inverno que escrevo mais e melhor. Enquanto o meu filho dorme e um grilo canta lá fora.

Flames: o teu FLAMES no ano

Podem ver aqui esta espécie de entrevista.

2016 foi um ano repleto de surpresas. Por ter sido um ano fora do comum, acreditamos que ainda vamos ouvir falar nele bastante em 2017. No FLAMES queremos fazer o mesmo. De um ano que tanta gente apelidou de um dos piores na história da humanidade, nós queremos retirar o que de melhor houve. Assim nasce a rubrica "O teu FLAMES num ano"


Olinda Gil
2016

Página facebook: https://www.facebook.com/olindapgil/

Blogue: www.olindapgil.blogspot.com

Canal Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCAtuP9atfiGyG5PjuRPQ8Kg

Filmes: Star Wars VII – O despertar da força… (reviver de memórias antigas)
Livros: O quadro da mulher sentada a olhar para o ar com cara de parva (de Luís Afonso, com um conto, “O Operário” dos melhores que já li até hoje); Esse Cabelo (Djaimilia Pereira de Almeida); Lavínia (Ursula LeGuin); A deusa no jardim das Hespérides, de Luíza Frazão (ed. Autor) que aconselho a todas as mulheres lerem!
Animes:
Mangas:
Eventos, espetáculos e/ou entretenimento:
Séries: Guerra dos Tronos e Ficheiros Secretos!

Boletim Municipal de Aljustrel nº 239



Opinião: "Gafas de cerca" de Mario Rodrigues

Entra-se logo com um poema arrebatador, que se não fosse castelhano seria sobre saudade. A leitura prossegue, umas vezes mais fácil do que outras por causa da questão do idioma.
Fala-nos da memória que guarda das mulheres que lhe são referência, e que referencia: a mãe e a avó. O amor, misturado com respeito, a descrição do seu lugar no mundo, que é no seio delas, sem que isso o esmague ou o impeça de viver.
Disse-me o Fernando Évora: "de Espanha vem o Mario Rodriguez. Conheci-o em Beja, no encontro do Saramago. Achei-o simpático e acessível. Mas quando li os poemas dele: é fabuloso." Já não sou a única a pensar assim.

Opinião de "Sudoeste" em blog de Algo

Veja aqui.

"Não é um livro, são três.

São três contos num mesmo "cenário", que se torna quase personagem nas histórias. Cada conto trata a vida de uma mulher diferente, com a qual facilmente simpatizamos e nos identificamos.

O facto das histórias se passarem num mesmo local, faz-me pensar numa questão que me ponho muitas vezes em alguns locais: Que outras vidas este sítio testemunhou? Quantas vidas, segredos e emoções escondem a terra que pisamos?

Não é o melhor livro que li, não é. Mas levou-me a pensar muito para além daquilo que está realmente escrito, por isso, valeu muito a pena tê-lo escolhido, e se a qualidade de um livro fosse avaliada pelo preço que custa, este valeria muito mais do que 1,80 que custou (ebook e em promoção)."

Minha opinião de "Ponto Zero" de Rita Inzaghi

A partir de uma situação inesperada: um prémio de euromilhões, dois irmãos decidem partir para Santiago de Compostela para um Gap Year. A partir daqui é o que nos diz a sinopse: encontros e desencontros, muita música e droga à mistura. O que a sinopse não nos diz é a forma como a autora encontra para nos mostrar isso. E se o livro se assume como grunge, eu diria que se assemelha com a tendência americana de literatura punk.
Pode parecer-nos que estamos perante um retrato de uma juventude inconsequente, mas, para mim, estamos perante um realismo que por vezes até dói, porque estas personagens não deixam de ser inocentes, esperançosas e apaixonadas. E digamos a verdade: a nossa realidade é a preto e branco ou é cinzenta (ponteada de muitas cores?).