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A nova obra de Olinda Pina Gil.

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A declamar um poema meu

Nem te vejo a verdade

És belo pelo que penso ver em ti

As tuas verdades são as que contas e eu acredito

Só tenho o que me estás a dar
Só amo o que me deixas amar

Ter as minhas mãos cheias de ti,
Sei que é apenas uma ilusão.

Digo agora que impregnas o meu olhar em tudo
O que vejo e o meu entendimento
Em tudo o que penso e dirão os outros,
Certos que estou apaixonada por ti.
E transformei este poema num poema de amor.
Acabou-se a teoria, a universalidade, a eternidade.
Será mais um poema de amor malfeito.
Mas não é.
Recorrente, retórico, estilístico
Contém a verdade e eu amo-te mesmo!

Onde nasceram (palavras)
Onde surgiu o (crime)
De gravar
O pensamento infinito

Morrer
Debaixo do sol
E das lágrimas de fogo
Sob o ódio

A morte das (palavras)
O duplo (crime)

Ver soldados a lutar
Trocar (palavras) por pão
E insultos por amor

O profeta não cumpre o oráculo;
O poeta não realiza o sonho;
O arquitecto destrói a torre,
As palavras voam sem sentido
Desprendidas de uma tela podre.

Sim, este poema seria
Para ti, que não me ouves,
Homem corrompido,
Apenas a vaguear no mundo
Para existir
Efémero e insano.

Este poema serve em todos
Os falsos profetas e falsos poetas,
Em todos os juízes sem lei,
Em todas as palavras vãs,
Em todos os pianos sem teclas.

Chega de robots que falam
E ideais toldados em música.
Da inutilidade de cada passo
E vanitude de cada gesto,
Só me resta sorrir instinto
Ao sol que lhes ilumina.

Poema do chamamento do mundo

imagem daqui: http://mundo-leitor.blogspot.com/2011/06/horizonte.html
Quantas vezes ao morrer do dia,
Ou ao olhar da aurora na planície,
Ouvi o mundo chamar por mim?

Uma ânsia à paixão semelhante
De descobrir encruzilhadas sem destino
E procurar o fim do horizonte.

Nascia nas correntes do céu,
Natureza, silêncio, mar e poesia.
Noites quentes perturbadas no sono!

Desejos de liberdade indomável,
Da pobreza dos selvagens seres.
Olhar inconstante e ilimitado.


Nanozine #8

Já saíu a Nanozine #8, que conta com o meu poema Publicidade.
Clique aqui para aceder à revista.


Sobre a revista:
Para além de contos, na Nanozine 8 poderão ser lidos artigos sobre cinema pornográfico, Yaoi, BDSM e escrita erótica. Um grande obrigada às bloggers portuguesas que aceitaram o desafio de nos enviarem alguns textos seu sobre as sensações que têem quando lêem erótica.
(retirado do site da Nanozine)

Poesia minha a ser publicada


A minha participação na nova colectânea da Pastelaria Studios Editora, desta vez de poesia, já está confirmada. O livro chamar-se-à Poesia Sem Gavetas. A minha participação será feita com os textos seguintes:

Ignorante, eu...

retirado daqui


Ignorante, eu
por pensar que o nosso amor
não poderia ser outro.

Na verdade,
pensei do nosso amor ser comum,
paz.

No entanto,
o nosso amor se revelaria maior,
com dúvida e sofrimento.

Não me deixando dormir,
erguer,
uma noite.

Inteligência

A inteligência
é uma fronteira do entendimento.

É um gás imprescindível
como o oxigénio.

É uma escolha
entre o que dizer e o que mostrar.

É a condição da infelicidade
e da desilusão.

Sem presente nem futuro

Passam
Anos e paixões
Sonhos

Fica a luta

Passa
A esperança
Alegrias

Fica a dor

Passa
A juventude
Vigor

Fica a sede

Sobra,
Sem se viver
A vida

Poema de amor ao meu país

Amo os grandes poetas e os grandes deuses
Amo os frutos dados pela terra e os que os homens geraram

Amo a terra e o céu
O que o mar nos fez
E o que fizemos dele

Amo cada pedra de um país esquecido
Cada rosto e cada marca
De um povo sem início
A desfazer-se na bruma.
O teu nome é Hamlet.

Eu proscrita, tu assassino.
Com destinos delineados pelo incesto.

Abandonados pelas leis.
Nem dos deuses teremos clemência.

Receberemos até ao fim dos tempos
A culpa dos nossos antepassados.

Séculos e mares nos separam.
Destinos identicamente trágicos.

O meu nome é Antígona.
O teu nome é Hamlet.

Horizonte grande de infinito

Em termos de elogio,
Que não cabia aqui.

Mas haverá quem possa
Ser o suficiente grande
Nesta terra enorme?

Engano o teu, igual
Ao meu, no passado
Quando senti aqui não caber.

Nesta terra infinda
De horizontes de serra,
Mar, história e poesia.

Encolho a cada dia.
Renasço um grão das suas praias,
Uma nuvem dos seus céus.
A praia deu-me a bênção do vazio
E do frio desconhecidos no verão.

As brumas acariciaram o meu corpo
E taparam as ondas fustigadas que
Tocavam qual orquestra atrás do palco.

A areia e o mar faziam um açúcar
Agridoce para temperar amêijoas em sonhos.
Meus sonhos, ausentes para eu poder descansar.

O Espaço do Tempo

Vê se demoras!
Aprende a poder demorar.

Demora:
Possui o tempo!
Faz o tempo ser teu.

Alarga:
Afasta-te!
Adquire um espaço teu.

Alarga:
Dá espaço!
Faz uma distância só tua.

Capricha:
Não te podes demorar?
Não te podes afastar?
         Então certamente amas!

Cidade

Passos curtos
Gentes
Apressadas
Compassadas

Fugindo da dor de um olhar
Do esboçar de um sorriso
Do contemplar do eu e do outro

Gentes
Tantas
Cheiros e faces
Vozes
Gritos fechados

Olhares presos em montras
E revistas de sonho e vazio
O lugar do dinheiro no bolso

O cinzento
Do pensamento
E do ar
Gentes
Prisão e sufoco
Dedos tentam alcançar
O impossível e o prazer
Coberto e desaparecido

Lisboa
Gaivotas
Só nela
O rio
E a beleza

Ver entardecer a outra margem
As luzes da noite da água
O sol alegre na urbe

Acordar
Olhar e ver
Gentes
Lisboa
Ainda é viva



imagem daqui: http://msj0j0.blogspot.com/2011/01/cry.html
(ler lentamente)

Choro lágrimas de vento,
Ouço um barulho lento
Que me cerca em redor.

Um cheiro que mais odor;
Que o sinto de morte, dor,
De todo o esforço que tento

Amar!